Sergipe faz 124 transplantes de córnea e um de coração em 2017

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A campanha Setembro Verde terminou, mas não o trabalho de sensibilização da Central de Transplantes de Sergipe para que as doações de órgãos e tecidos aconteçam regularmente. Órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES), a Central realizou este ano 124 transplantes de córnea e um de coração, segundo informações do coordenador do órgão, Benito Oliveira Fernandez.

O número de transplantes poderia ser maior e contemplar quem sofre, como avalia Fernandez, informando que o Setembro Verde não derivou em aumento expressivo das doações. “O resultado é sempre positivo em relação à sensibilização das pessoas, mas, infelizmente, em número de doações o aumento não foi significativo”, desabafou o coordenador da Central, acrescentando que atualmente existem 188 pessoas aguardando por um transplante de córnea.

A fila de espera, segundo ele, já esteve maior este ano, chegando a mais de 200 pessoas, mas, em compensação, está muito maior que a registrada no ano de 2015, quando 32 pessoas esperaram pelo transplante. Para Fernandez, é preocupante que 188 ainda estejam aguardando por uma córnea, considerando que o tempo de espera pelo transplante é de um ano e dois meses.

“O que mais lamento é saber que órgãos e tecidos que podem salvar ou melhorar a vida de tantas pessoas são desperdiçados diariamente. Isso porque, não temos a cultura de dar à morte um novo significado, de amor e solidariedade”, expressou o coordenador da Central de Transplantes, salientando que podem ser doadores pessoas com idades entre 2 anos e 80 anos. “Mas é preciso informar a família esse desejo”, lembrou.

Sofrimento é grande

Benito Fernandez faz questão de destacar sempre que fala no assunto sobre o sofrimento de quem precisa de um órgão para viver ou ter sua vida melhorada. “Veja, o tempo médio de espera por um órgão é de um ano e dois meses. Imagine então, uma pessoa passar todo esse tempo sofrendo desconforto, sem poder abrir o olho, porque quando faz isso tem a sensação de que há areia nos olhos. Ou, como o caso de uma senhora que espera por uma córnea para voltar a enxergar e poder cuidar do marido que é deficiente. E órgão sendo desperdiçados”, reforçou.

Doações

Para se tornar um doador é preciso informar a família desse desejo porque assim as chances de essa família concretizar a vontade do doador é maior. Cônjuges e parentes até segundo grau podem autorizar a doação de órgãos, segundo informações de Fernandez.  Atualmente, a recusa de familiares em fazer a doação de órgãos é o grande entrave das centrais de transplantes no país inteiro.

Para doar órgãos de familiares falecidos, o que deve ocorrer imediatamente após a morte, basta ligar para os telefone 3259-2899 e 0800-284-3216. Esses mesmos telefones também podem ser acionados por interessados em palestras sobre a temática.