Parto humanizado já é realidade no Hospital Regional de Propriá

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O conjunto de práticas e procedimentos que buscam readequar o processo de parto dentro de uma perspectiva menos medicalizada e hospitalar já é realidade no Hospital Regional de Propriá, gerenciado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Diariamente, uma equipe formada por médicos e enfermeiros obstetras, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de médico neonatologista, está realizando mais procedimentos normais, entre eles, humanizados, do que cesarianos, de forma a entender a mulher e a criança através de uma perspectiva mais acolhedora.

Segundo a gerente da maternidade do hospital, Maria Antônia Martins, no último mês de julho, quando os partos humanizados ainda não estavam sendo realizados, os partos normais já totalizaram 84 procedimentos, enquanto que os cesarianos, 78. Em agosto, período em que os métodos específicos de humanização começaram a ser realizados efetivamente, dos 98 partos normais registrados, 17 foram caracterizados como humanizados, ao passo que apenas 71 foram cesarianos. A adesão ao parto humanizado é progressiva e comprovada em setembro, quando dos 87 normais realizados, 21 foram partos humanizados. Nesse último mês os cesarianos totalizaram 67, procedimento esse que vem sendo reduzido na unidade, gradativamente.

“Como o parto humanizado inspira uso de métodos diferenciados, cabe à gestante decidir por conta própria pela adesão ou não. Em função disso, a equipe de profissionais inicia o processo humanizado com uma série de esclarecimentos que, por sua vez, garantem o apoio e o aconchego às mamães diante dessa escolha, considerada de suma importância para a saúde dela e do bebê nesse momento único de suas vidas”, esclareceu Maria Antônia.

Estrutura

A unidade hospitalar conta com sala de pré-parto e de parto, sendo que cada uma delas disponibiliza cinco leitos às gestantes usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a gerente, na sala de pré-parto há bola apropriada para auxiliar no parto, suporte e banco utilizado para o parto, quando feito de cócoras. Tal posição é conhecida como a que, geralmente, decorre mais rápido, visto que alarga a pelve mais que as outras posições, além de relaxar os músculos da região, facilitando a saída do bebê.

Já a sala de parto do Hospital Regional de Propriá é utilizada pelas gestantes que, mesmo aptas a realizarem parto normal, apresentam algumas dificuldades, entre as mais comuns, a referente à passagem do bebê. Para superá-las, elas contam com total apoio da equipe multiprofissional da unidade e utilizam uma cadeira de parto, também apropriada para procedimentos normais.

De acordo com Maria Antônia, muitas mulheres preferem o parto cesariano por uma série de questões, entre elas por acharem que esse tipo de procedimento é mais rápido e mais seguro. Por medo da dor grande parte das gestantes, em especial, as que apresentam faixa etária entre 15 e 20 anos, também preferem a cesariana. “Os benefícios do parto normal e humanizado são inúmeros. Por usufruir de uma recuperação mais rápida, a mamãe recebe alta hospitalar mais cedo e terá maior garantia de que, fisiologicamente, o bebê reagirá melhor ao procedimento natural. A criança nasce, passa por processo de limpeza e, imediatamente, vai para os braços de quem a manteve no ventre com tanto amor e expectativa”, explicou ainda a gerente da maternidade do Hospital Regional de Propriá.

Dignidade

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a humanização do parto deve seguir pelo menos dois preceitos: é dever de toda unidade de saúde receber e tratar com dignidade a mulher, seus familiares e o nascituro, aquele que irá nascer, através de atitudes éticas e solidárias por parte dos profissionais de saúde e da instituição, criando ambiente acolhedor e instituindo rotinas que evitem o isolamento da mulher. O parto humanizado representa, portanto a adoção de medidas e procedimentos benéficos à gestante e ao bebê, evitando práticas intervencionistas desnecessárias e que, com freqüência, acarretam riscos a ambos.

Rede Cegonha

Aderindo aos métodos humanizados em seus procedimentos, o Hospital Regional de Propriá se insere na perspectiva da Rede Cegonha. Trata-se de um pacote de ações que visam garantir o atendimento de qualidade e seguro para todas as mulheres. O trabalho busca, através do SUS, oferecer assistência desde o planejamento familiar, confirmação da gravidez, pré-natal e parto até os 28 dias pós-parto (puerpério), se estendendo até os dois primeiros anos de vida da criança. Com a Rede Cegonha, o MS busca reforçar as ações de atenção às mulheres durante a gravidez, premissa essa também compartilhada pelos profissionais do hospital regional.