‘Lourdinha’ orienta sobre os cuidados durante a gravidez de alto risco

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Por Júnior Matos

 

Ao saber que estava grávida, Raulina Matos, 26, o sentimento de felicidade tomou conta de todo o espaço. “Sonhei muito em engravidar de novo. O meu bebê foi esperado e planejado. Ser mãe é o sonho da minha vida”, declarou, emocionada. Mas, após apresentar fortes dores abdominais constantes e perda de líquido amniótico, a felicidade deu espaço para os anseios e dúvidas.

 

“Fiquei muito nervosa e decidi procurar o pré-natal. Durante os procedimentos, fiquei sabendo que minha gestação era de alto risco. Fui encaminhada à Maternidade Nossa Senhora de Lourdes onde fiquei internada para o tratamento antes do parto. Durante os 15 dias de internação, o suporte dos profissionais foi extremamente necessário. Se sentir segura é fundamental. Meu parto foi tranquilo. Mas, como o meu bebê nasceu de forma prematura, ele segue recebendo assistência na Unidade Intermediária para ganho de peso e está cada dia mais forte e saudável”, relatou Raulina.

 

De janeiro a outubro deste ano, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) recebeu 6417 casos semelhantes ao da paciente Raulina, ou seja, classificados como de alto risco. Por isso, os cuidados devem ser redobrados. A assistência especializada é decisiva para garantir a integridade tanto da mãe quanto do bebê.

 

De acordo com a coordenadora de Obstetrícia da MNSL, Alba Patrícia Vieira, as patologias registradas com maior recorrência na unidade são: hipertensão, diabetes, cardiopatia e o rompimento precoce da bolsa.

 

“Mas, também recebemos na unidade problemas como: infecção urinária, vulvovaginite (inflamação da vulva e da vagina, de origem infecciosa) e outras patologias. Essas quando não tratadas podem desencadear o trabalho de parto prematuro. Às vezes, a paciente não tem uma gestação de alto risco, mas chega aqui com complicações por não ter recebido esse tratamento durante o pré-natal”, enfatiza Alba Patrícia

 

 

A idade também pode ser um fator para ocasionar uma gestação de alto risco. “O Ministério da Saúde preconiza que a gestação de adolescentes, menores de 16 anos, é classificada como de alto risco por fator social, ou seja, falta de planejamento para o período de gestação e muitas vezes também a falta de adesão ao pré-natal. Já as mulheres acima dos 35 anos de idade também podem ser consideradas como gestação de alto risco por fatores biológicos e por ter maior predisposição de desenvolver diabetes, hipertensão, entre outras patologias”, pontua Alba Patrícia

 

 

Recomendações necessárias

 

 

Durante o período gestacional considerado de alto risco, é necessário seguir corretamente recomendações/orientações passadas pelos médicos. Algumas destas são comuns em qualquer tipo de gestação: visitar o médico regularmente e realização do pré-natal, repouso, alimentação equilibrada e somente realizar a ingestão de remédios prescritos pelo obstetra (para que a gestação decorra sem complicações para a mãe e para o bebê).

 

Para os casos de gravidez de alto risco, as futuras mamães devem ser acompanhadas por médicos com especialidade em obstetrícia. Diferente do que acontece na gravidez de risco habitual, quando a gestante pode ser acompanhada por profissionais do Programa de Saúde da Família (PSF).

 

“É importante também que a gestante de alto risco saiba identificar os sinais de trabalho de parto prematuro. Por exemplo: a presença de corrimento gelatinoso, que pode ou não conter vestígios de sangue, pois o risco de entrar em trabalho de parto antes do tempo é maior nestes casos”, esclarece a médica e coordenadora de obstetrícia da MNSL, Alba Patrícia Vieira.

 

“Vale lembrar que, todas as mulheres que desejam engravidar, principalmente, após os 35 anos de idade, devem procurar o obstetra e realizar os devidos para avaliar a saúde”, aconselha Alba Patrícia.