Gravidez na adolescência: guerra entre amor e desilusão

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Ser mãe na adolescência pode ter muitas versões. Há diferentes situações para cada menina que por escolha, ou não, terá de mudar sua vida, passando a assumir uma responsabilidade, não própria da sua idade. Na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes é freqüente a chegada de meninas entre 12 e 17 anos, grávidas e, na maioria das vezes, em estado de risco. Jovens demais, elas podem apresentar problemas anatômicos que dificultam a gestação e o parto e ainda graves dramas psicológicos, como explica a psicóloga, Kátia Cristina Albuquerque.

 A profissional esclarece que a gravidez na adolescência não trata apenas de um problema social, mas psicológico que pode influenciar na vida das jovens para sempre. “A questão é que grande parte dos jovens hoje não tem ambição para o futuro e sem maturidade, não medem as consequências de uma gestação prematura. Entra nisso tudo o problema de duas crianças sem responsabilidade e, junto com todo o enredo, pode vir a droga, a família que não compreende e muitos outros problemas”, disse a psicóloga da MNSL.

Ela atenta que esses jovens, sem acompanhamento dos pais, quando não sabem lidar com esse tipo de situação, ficam vulneráveis. “Hoje, muitas famílias ficam sem saber o que fazer quando os filhos entram em férias”. Temem a ociosidade e a busca por atividades inadequadas. Outros pais precisam trabalhar e deixam seus filhos sozinhos, o que pode ocasionar graves problemas para eles”, disse Kátia. Ela ressaltou, ainda, que no caso das meninas muito jovens há todo um transtorno anatômico.

“As bacias das adolescentes não estão preparadas para suportar os movimentos do parto, o que pode gerar problemas na saúde dessas jovens. O parto prematuro ocasiona seqüelas físicas, neurológicas. Já não vemos tantas mortes, porque há muitos recursos”, observou Kátia. A amamentação, segundo ela, é muito útil para a saúde das gestantes. Amamentar ajuda a contrair o útero e leva a perda de peso. “Na verdade, todo esse transtorno poderia ser evitado se as pessoas aceitassem os métodos oferecidos na rede pública como a camisinha, DIL, anticoncepcional e outros. Mas, a maioria da população se recusa a esses  contra conceptivos. E findam por  engravidar de forma irresponsável”, lamentou a psicóloga

 MENINAS MULHERES

Para Karine Gonçalves Souza, de 15 anos, que acabou de dar a luz ao menino David Kauan, a vida poderia ter sido mais complicada. Ela teve a sorte de ter bons pais e uma família unida. Apesar disso, apresenta sinais de depressão. O pai de seu filho é um homem de 36 anos, que não vai assumir a criança. Ele desapareceu. Um pouco deprimida, a jovem disse que não esperava engravidar, mas que com a ajuda de seus pais, pretende voltar a estudar e dar continuidade a sua vida.

Mas há casos diferentes, como o de Tairine Valença, de 16 anos. Ela é casada com um jovem de 20 anos, planejou a gravidez e se sente muito feliz. Não se importa de ter de assumir novas responsabilidades e diz que esse sempre foi o seu sonho. Gestante há sete meses, ela luta para que seu filho não nasça prematuro. Já deu nome a sua menina, que se chamará Ayla Sophia.

“Estou feliz, sei que sou muito jovem, mas sempre quis ser mãe e não me arrependo. Minha família está me apoiando e vou cuidar da minha filha junto ao meu marido”, disse a adolescente, que logo será mãe com todas as responsabilidades que lhe são devidas.