CER IV renova esperanças de dias melhores para deficentes visuais e familiares

Flávio Victor tem apenas 13 anos e um mundo de descobertas pela frente, porém, os desafios para alcançar desenvolvimento pleno, ter acesso a direitos fundamentais e à cidadania são maiores, pois, ele não conhece o mundo pelo sentido da visão. A mãe do adolescente, Rosely Correa Santana Nascimento, atribui a cegueira ao parto prematuro. “Eu tive uma gestação de alto risco, então, meu filho acabou nascendo com seis meses. Tive muitas complicações naquela fase, o que deve ter contribuído para que ele nascesse sem enxergar”, relembra. 

Para minimizar os impactos dessa condição de existência na qual o adolescente nasceu e passou toda a infância, foi concebido o Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Ferreira Aquino – CER IV, o primeiro de Sergipe que possui um trabalho multidisciplinar para atender pessoas com deficiência visual. Assim que souberam do funcionamento deste novo equipamento que compõe a Rede Estadual de Saúde, Rosely e Flávio Victor, se deslocaram do povoado Jenipapo, que possui mais de 4 mil habitantes e fica a 18 Km do centro do município sergipano de Lagarto, para conhecer os detalhes desta unidade que será de extrema relevância para a vida dos dois. 

A trabalhadora rural, que retira parte da sua renda da venda de farinha de manaíba, ou seja, do caule de aipim ou mandioca, teve ótimas impressões no seu primeiro contato com o CER IV. “Eu achei a estrutura maravilhosa, a minha sensação é de alegria por ter essa oportunidade de trazê-lo aqui, está sendo uma grande felicidade em minha vida. Em Lagarto não tem um lugar específico para a deficiência do meu filho”, compartilhou emocionada Rosely. 

Quando chegaram ao centro, a equipe recebeu de maneira acolhedora os novos usuários CER IV e Flávio pode com suas próprias mãos e usando sua tecnologia assistiva, a  bengala, reconhecer todo o espaço físico, testando a acessibilidade que garantiu ao centro o Selo Ouro, honraria recebida do Conselho Estadual das Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades. “Eu tô gostando de conhecer o espaço, tô muito feliz em sentir as barras, o piso tátil, sentir a água das fontes… É um lugar grande e todos estão me tratando muito bem”, fala Flávio com timidez.

Andreza Almeida, enfermeira CER IV, esteve ao lado do adolescente durante o passeio que ele fez pelo Centro. A profissional conta como foi apresentar, através da descrição oral, os detalhes do centro. “Flávio é um jovem que sente o mundo pelas mãos, pelos sons. Ele está encantado e ansioso para conhecer de forma, ainda mais próxima, os serviços de reabilitação do CER IV.  A emoção dele ao chegar perto da fonte me tocou muito, ele quis que eu descrevesse os detalhes com profundidade, como a água se movimenta… A sensação é de que esse garoto enxerga muito mais do que a gente. Eu fiquei feliz e realmente estou na expectativa que possamos receber muitos outros jovens e, assim, ajudá-los positiva e significativamente”, descreve com satisfação a enfermeira.  

Para a Coordenadora do CER IV, Sayonara Carvalho, ver um adolescente sentindo toda a dimensão de um espaço que foi idealizado para atender a necessidade dele e também de muitas outras pessoas com deficiência, é motivador. “A gente vem se preparando muito para esse momento humanizado, para acolher os nossos usuários… Quando a gente vê Flávio e a sua mãe contemplados em cada cantinho deste amplo espaço, é muito gratificante. Isso só nos reafirma a relevância deste centro de Excelência que atua na reabilitação de quatro tipos de deficiência, sendo que é o único CER em Sergipe que abraça a deficiência visual. Estamos muito felizes com a aprovação do nosso jovem usuário”, afirma a coordenadora. 

Os quatro tipos de deficiência citados por Sayonara e que são assistidos pelo CER IV são: deficiência física, intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA), auditiva e visual. É importante que assim como Flávio, a vinda ao CER IV seja realizada a partir de um encaminhamento médico que deve ser feito pela Unidade Básica de Saúde do município em que a pessoa com deficiência mora. Os serviços do centro especializado são regulados, isso significa que é um sistema que organiza todo o atendimento, garantindo o princípio do SUS da equidade no acesso.

O CER IV surge como um centro referência para pessoas com deficiência e renova as esperanças de dias melhores para esse público. “Eu desejo que Flávio consiga crescer na vida, consiga se virar sozinho, seja independente. Eu sei o dia de hoje, mas o amanhã a gente nunca sabe, então, eu quero que ele consiga crescer com liberdade”, esse é o desejo de Rosely, uma mãe que visualiza no CER IV, o prenúncio de um futuro com melhor qualidade de vida e autonomia para o seu filho.

Reportagem e fotos: Ewertton Nunes

Publicado: 2 de setembro de 2021, 09:37 | Atualizado: 2 de setembro de 2021, 09:51


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