Acidentes de trânsito: problema de saúde pública global apresenta redução de índices em Sergipe

postado em: Notícias | 0
Em função da Semana Nacional do Transito – de 18 a 25 de setembro – a Secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Gerência de Informações e Estatísticas da Diretoria de Planejamento, realizou um estudo sobre a morbimortalidade dos acidentes de trânsito em Sergipe, que aponta para a redução em 32% do número de acidentes registrados por órgãos de trânsito estadual e federal, entre os anos de 2012 e 2016.
Segundo a coordenadora da Gerência de Informações e Estatísticas, Eliane Nascimento, os acidentes de trânsito representam importante problema de saúde pública global e uma das principais causas de mortes e lesões em todo o mundo.
“Além de provocar enormes custos sociais para indivíduos, famílias e comunidades, os acidentes representam uma sobrecarga pesada aos serviços de saúde. Tanto que, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), esse problema se tornou endêmico, em razão do número de vítimas e da magnitude das sequelas corporais e emocionais causadas pelas ocorrências”, explicou a coordenadora.
Em 2012, o total de acidentes de trânsito em Sergipe foi de 6.791, sendo registrados 1.672 nas rodovias federais e 5.119 nas estaduais. Já em 2016, foram registrados 763 nas rodovias federais e 1.352 nas estaduais, totalizando 2.115. Esses números também estão relacionados à redução de 26,41% das ocorrências registradas nas vias estaduais, bem como de 45,64% nas vias federais.  Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocam os acidentes de trânsito como a nona causa de morte no planeta, representando o equivalente a 1,3 milhão de mortes por ano. O estudo da OMS, feito em 2009, também destaca que entre os sobreviventes, aproximadamente, 50 milhões ficam com sequelas.
“A posição do Brasil nessa pesquisa é a quinta colocação entre os 178 países estudados. Já em 2010, o Brasil ficou em quarto, perdendo apenas para a China, Índia e Nigéria, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Avante Brasil, com base no relatório Global Status Report on Road Safety 2013, da Organização das Nações Unidas”, relatou a Analista responsavel pelo estudo, Patricia Lima.
De acordo com Vinícius Vilela, coordenador do pronto socorro do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), maior hospital público do Estado, a unidade manteve entre janeiro e setembro dos últimos dois anos a média de 600 atendimentos aos pacientes vítimas de acidentes automobilísticos.  Para ele, a maior parte dos casos atendidos na Rede Estadual de Saúde, relacionados a essas ocorrências, poderiam ser evitados mediante uso de cinto de segurança e ausência de ingestão de bebidas alcoólicas ao volante.
“Atualmente, o Huse atende a cada mês, em média, 73 vítimas desses acidentes. Os casos mais comuns repercutem em traumatismo cranioencefálico, bem como em fratura de costela e de fêmur. Esses pacientes chegam a permanecer no hospital por 30 dias, chegando a 60 quando em situação de fratura de coluna ou em caso de problemas neurológicos, o que implica em contarmos com recursos externos para essa assistência. Consideramos que a maior parte desses casos poderiam ser evitados, caso os cidadãos respeitassem os critérios relacionados à educação no trânsito. Para o Estado, os custos evitáveis são grandes e contabilizados desde o deslocamento de uma viatura do Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência], até os procedimentos de urgência feitos no Huse, considerando até mesmo a realização de mais de um procedimento cirúrgico, o tratamento das sequelas adquiridas e o próprio afastamento do cidadão vitimado das suas atividades trabalhistas”, destacou Vilela.
A observação comparativa entre os anos de 2012 e 2016, a partir dos acidentes de trânsito no território sergipano, torna evidente a mudança do cenário de forma positiva com redução significativa das ocorrências em nove municípios. Mesmo concentrando a maioria dos acidentes de trânsito ocorridos no intervalo de quatro anos, a região de saúde de Aracaju, que envolve os municípios de São Cristóvão, Itaporanga D’ Ajuda, Laranjeiras e Barra dos Coqueiros, reduziu em 75,79% as ocorrências, totalizando, no ano de 2012, 4.242 acidentes, e em 2016, 1.027 acidentes. O número de municípios que não apresentaram nenhum acidente aumentou para 18 em 2016, com destaque para os municípios de Pirambu e Neopólis onde havia ocorrido, respectivamente, oito e seis acidentes de trânsito em 2012.