SES e Funesa realizam Seminário de Ações Sistemáticas de Prevenção para Populações Prioritárias

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“O foco principal está nas populações prioritárias e populações chaves. Ressaltamos a necessidade de disponibilizar preservativos e testes rápidos. Em caso de resultado reagente, essas pessoas devem ser acolhidas, tratadas, encaminhadas. Que haja um vínculo desses usuários com os gestores de saúde”. É dessa forma que o médico sanitarista e gerente do Programa IST/Aids da SES, Dr. Almir Santana, define o objetivo principal do Seminário sobre Ações Sistemáticas de Prevenção para Populações Prioritárias, realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e Fundação Estadual de Saúde (Funesa), em parceria com o Ministério da Saúde (MS), na última terça-feira, 10.

O facilitador destacou, ainda, que o seminário é um dos mais importantes. “É uma ação que busca mostra ao gestor e aos representantes das populações prioritárias a importância dessa parceria, além de fomentar que ações sejam realizadas diretamente com essas populações. Fiquei satisfeito porque algumas populações já saíram daqui com o planejamento de atividades”. Dr Almir palestrou sobre “Sexualidade e Vulnerabilidade” e “Prevenção Combinada”. Outras abordagens realizadas durante o evento foram “Soropositividade e Ativismo”, “Demanda e Rotina” e” Redução de Danos – Os trabalhos de redução de danos realizados no território – PRD”, com abordagem do Consultório na Rua e Centro Pop.
Para José Wellington Fontes, representante do Movimento Quilombola do Estado de Sergipe, a aproximação das 56 comunidades quilombolas de Sergipe com a área da saúde acontece pela necessidade de atender as políticas públicas para o público quilombola. No último dia 16 de agosto uma ação com testes rápidos e outras atividades foi realizada na comunidade Forras, município de Riachão do Dantas.

“Diante da ação, percebemos a real necessidade dessa aproximação. As comunidades quilombolas estão às margens. E isso também ocorre pela carência de atendimento. Então, esse Seminário dá a oportunidade de estreitar mais nossas relações. Esperamos que essa parceria atenda as demandas das comunidades. Somos um público que tem dificuldade de atendimento, que nem sempre somos reconhecidos pelos municípios, que estamos distantes das informações, porém temos os mesmos problemas de saúde que os demais têm”, ressaltou Wellington.

Participante do evento, a enfermeira Ana Carolina Sousa, que atua na área da assistência em Nossa Senhora da Glória, relatou que na região foram identificados grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade. “Para ter uma atuação mais eficaz e trabalhar em prol da comunidade, é interessante termos um momento de reciclagem, Educação Permanente em Saúde e um atendimento voltado para a necessidade daquela população específica. Isso melhora as práticas, tornando-as mais efetivas, gerando resultados positivos, uma vez que pensamos em doenças sexualmente transmissíveis como uma questão de difícil controle. Por isso o profissional tem que adquirir novos conhecimentos e estratégias”.

O projeto do Seminário, executado pelas analistas educacionais da Coordenação de Educação Permanente e Pós-Graduação da Funesa, Maria Gorete da Rocha e Liana Nascimento, busca a sensibilizar profissionais das áreas de Vigilância, Atenção Básica e serviços de referência, para assumir papel mais ativo na vigilância e prevenção às ISTs/HIV/Aids e Hepatites Virais. “De acordo com informações que levantamos para essa ação, o perfil epidemiológico do HIV/Aids, das hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) no Brasil apresenta prevalências desproporcionais entre alguns segmentos populacionais quando comparadas à população em geral”, explicou Gorete.

Ainda segundo o projeto, o cenário é resultado de múltiplos fatores, porém as condições  estruturais se destacam, visto que os contextos de extrema vulnerabilidade contribuem para ampliar as barreiras de acesso à cidadania, aos direitos e às ações de cuidado integral à saúde. Desde as conferências de Alma Ata (1978) e Otawa (1986), muitos países partilham a compreensão de que a saúde das populações depende de seus determinantes sociais. Dessa forma, gestores(as), pesquisadores(as) e movimentos sociais trabalham em conjunto para superar esses desafios e ampliar a concepção de saúde, defendendo que o enfrentamento de barreiras socioeconômicas, ainda que fundamental, é insuficiente para garantir o acesso universal e equânime às políticas de saúde.

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