Paciente oncológica do Huse é aprovada no vestibular e vive nova fase da vida

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Quando descobriu que estava com um câncer na mama, há três anos, Gerusa Cerqueira, 59, imaginou que enfrentaria uma batalha difícil. O que ela não sabia é que o tratamento feito no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) contra a doença, faria com que ela mudasse não só o modo de encarar a vida, mas também o rumo de sua existência. Ela foi aprovada no vestibular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS), no curso de Guia de Turismo. Um novo momento em que ela espera incentivar outras pessoas que passam pela doença.

“Minha filha estuda no IFS e me perguntou se eu queria fazer o vestibular, o que eu concordei de imediato. Ter conhecimento é sempre muito bom e ter a mente ocupada com coisas saudáveis e fazer novos amigos é melhor ainda. Eu quero incentivar outras pessoas que passam por essa doença que elas tenham fé, porque para Deus nada é impossível, e para os profissionais eu quero dizer que eles são excelentes e se hoje estou aqui contando a minha história de vitórias é porque eles me deram autonomia dentro das especialidades deles. Deus colocou anjos no meu caminho”, afirmou Gerusa.

A filha de dona Gerusa, a estudante Thamires Cerqueira, 31, é uma das maiores incentivadoras da mãe. “Ela é muito inteligente e eu tinha certeza que se sairia bem. Eu admiro muito minha mãe, ela é minha inspiração de vida e eu agradeço muito a Deus por essa segunda chance pra gente. Ela gosta muito de viajar ai devido aos problemas de saúde que ela enfrentou, deixou de fazer muitas coisas e uma maneira que encontrei para ela viajar e conhecer pessoas e lugares diferente foi estudando. Foi quando abriram as inscrições para o vestibular no IFS e eu perguntei se ela gostaria de participar, ela sorriu e pediu para fazer a inscrição. No dia do vestibular acordou cedo, se arrumou e foi acompanhada pela minha outra irmã. O resultado foi um sucesso e mais uma vitória”, ressaltou a filha.

Dona Gerusa descobriu o câncer de mama depois de um autoexame enquanto tomava banho. Procurou um médico que constatou o pequeno nódulo no seio. Ela conta que passou por exames de mamografia, ultrassonografia, punção e não descobriram nada, até que o médico resolveu solicitar uma biópsia e o resultado foi positivo para câncer. “Eu fiquei sem chão no consultório médico, estava chovendo e olhei para o céu e pensei: é daí que vem o meu socorro. Tive fé em Deus, na vida e consegui passar por todo o tratamento de quimioterapia, radioterapia e cirurgia para o tratamento do câncer de mama”, declarou.

A batalha dela contra o câncer não acabava por aí. Ela continuou fazendo o controle da doença por um ano e meio, foi quando sofreu uma crise convulsiva que a deixou sem fala e internada no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). “Fiz uma tomografia e fui avaliada pelo neuro que encontrou uma manchinha no meu cérebro. Fiz uma ressonância magnética que comprovou o tumor e na sequência fiz uma cirurgia do lado esquerdo e fiquei com sequela do lado direito. Fiquei quatro dias internada na UTI e recebi alta. Aqui no Huse tive o apoio de fisioterapeuta, fonoaudiólogo e da terapeuta ocupacional. Estou maravilhada com os resultados”, explicou, salientando que graças aos especialistas teve de volta sua autonomia.

Atividades

A terapeuta ocupacional do Huse, Márcia Larissa Ferreira, acompanhou a recuperação da paciente e devolveu a ela autonomia para realizar suas atividades normais e rotineiras. Ela ressaltou que a força de vontade e a garra da paciente ajudaram nesse processo de recuperação durante o tratamento. “A terapia ocupacional visa devolver a autonomia dos pacientes nas atividades de vida diária como banho, autocuidado, atividades simples para quem está com saúde em dia, mas para quem está com comprometimento, causa angústia. Então, poder devolver essa independência, treinar as atividades de vida diária com os pacientes dá muito prazer e alegria pra gente. No caso de dona Gerusa, ela é uma guerreira e um exemplo, eu costumo dizer que quando a pessoa recebe um diagnostico de câncer acredita que recebeu uma sentença de morte. Dona Gerusa mostra que não é assim e essa vitória veio da sua determinação e da vontade de viver, uma grande inspiração”, pontuou a terapeuta.

Para a fonoaudióloga, Margarete Souza, especialista em cabeça e pescoço, o comprometimento da paciente com as atividades e a fé dela ajudaram na vitória do tratamento e na conquista do vestibular. “Quando dona Gerusa chegou para mim ela tinha bastante dificuldade na correlação de ideias, tinha uma lentidão quando ela queria falar alguma coisa. Durante as sessões ela é muito comprometida, não falta e ouve todas as orientações, praticando-as, o que resultou em melhora da sua condição. Com a filha sempre presente e a organização das ideias, as respostas rápidas foram acontecendo. Fiquei muito feliz quando soube que ela foi aprovada em um vestibular, isso é uma vitória”, concluiu a fonoaudióloga. 

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