Médicos de Sergipe são capacitados para o diagnóstico de Morte Encefálica

postado em: Destaque 2, Notícias | 0

A Central de Transplante de Sergipe, órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com o Ministério da Saúde (MS) por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) realizou nesta terça-feira, 11, das 8h às 17h, no auditório da Fundação Estadual de Saúde (Funesa), curso que vai capacitar médicos a realizarem o diagnóstico de Morte Encefálica (ME), de acordo com o que preconiza a resolução nº 2173, de 2017, do Conselho Federal de Medicina. Além dos médicos participam as equipes da Central de Transplantes e da Organização de Procura de Órgãos (OPO).

O curso, ministrado por médicos do Hospital Albert Einstein, oferece 32 vagas. O período da manhã está reservado para a parte teórica e à tarde acontecerá a discussão de casos e aula prática. Os temas abordados são: legislação, resolução nº 2173 do Conselho Federal de Medicina, diretrizes do diagnóstico de morte encefálica, comunicação de más notícias e atividades práticas com estudos de casos diversos.

Segundo o coordenador da Central de Transplante, Benito Fernandez, um dos pontos abordados consiste na entrevista familiar, a forma de se comunicar com família, o que fortalece a parceria do profissional de saúde com a doação de órgãos, tornando-a cada vez mais efetiva, de forma a contribuir para o panorama de doação no estado de Sergipe, que ainda está muito baixo.

“A nossa proposta, em parceria com o Ministério da Saúde, agora mais efetiva, é capacitar o maior número de médicos que possam realizar o diagnóstico de morte encefálica, e aí a gente não tenha um tempo muito prolongado entre abrir e fechar protocolo, já que estaremos com mais médicos capacitados, além do acolhimento à família para que seja mais efetivo. O transplante só acontece com a doação, ainda não fabricamos órgãos, infelizmente, então podemos ter o melhor hospital, a melhor estrutura, mas se não tiver a matéria prima que são os órgãos, a gente não pode salvar outras vidas. É importante informar aos nossos familiares que somos doadores porque a família será a nossa voz”, disse Benito.

A médica intensivista do Hospital Albert Einstein e instrutora do curso de capacitação, Naiara Vasconcelos, reforça a importância da capacitação tendo em vista as mudanças na resolução nº 2173, que ocorreram em 2017. “Essa capacitação é fundamental. Com a mudança na resolução, o nosso exame clínico e complementar, o protocolo como um todo, tem uma especificidade 100% então, quando bem executado, a gente consegue dar esse diagnóstico de forma eficaz e, com isso, a gente aumenta as chances de pacientes serem possíveis doadores e melhora para os pacientes que estão aguardando órgãos, e que podem ter uma sobrevida um pouco maior”, comentou.

Para o enfermeiro do Hospital Albert Einstein, Clayton Gonçalves de Almeida, que atua na área de capacitação do hospital o curso, além de capacitar o médico para o diagnóstico de ME, possibilita a doação de órgãos e colabora para a diminuição da fila de transplantes.

“A doação de órgãos é um ato lindo num momento de dor e de extremo sofrimento e é a família que pode autorizar, ou não, a doação. Dentro desse curso nós falamos da importância do diagnóstico de ME, o médico aprende isso, e surgem também questões voltadas para a doação de órgãos, os médicos são capacitados, também, a compreender melhor a doação. Um dos itens que abordamos é a ‘comunicação de más notícias’, como o médico fala para a família naquele momento difícil que, infelizmente, o familiar veio a falecer, que a morte está confirmada, e então ele tem condições de conduzir essa família para uma possível doação”, reforçou o enfermeiro.

Fotos: Flávia Pacheco ASCOM SES

Atualizado há