Queimaduras: pais devem ter atenção redobrada com as crianças no período junino

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O espetáculo dos fogos de artifício encanta e também apresenta riscos. A falta de cuidado com a utilização dos produtos acaba mais cedo com a festa de muitas famílias. De acordo com a referência técnica da cirurgia plástica no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), Moema Santana, o uso de bebidas alcoólicas é um fator que contribui com a distração e leva a acidentes, sobretudo de crianças, que precisam ser monitoradas. O uso de equipamentos de segurança como luvas, calçados adequados e casacos mais resistentes são essenciais para quem vai soltar fogos, no caso das crianças, com a supervisão de um adulto, é fundamental para evitar acidentes e principalmente quedas nas fogueiras.

Por esse motivo, Moema Santana, faz um alerta para que os acidentes envolvendo fogos de artifício e queda em fogueira sejam evitados. Para se ter uma ideia, somente no feriado de São João do ano passado (2018), foram registrados 30 atendimentos a vítimas de queimaduras. A cada ano, durante o período junino é crescente o número de pessoas que não estão atentas aos alertas e acabam sendo vítimas e fazendo parte das estatísticas no Huse.

“Eu reforço os cuidados e a vigilância em crianças. Muitas delas acabam acendendo a bomba na beirada da fogueira e se acidentando. A supervisão de um adulto é fundamental, mas, o grande perigo é a compra dos fogos com alto teor explosivo. Por isso, o meu alerta é que seja evitado que crianças soltem fogos de alta potência e para os que insistem em permitir,oriente- as a nunca voltar para saber porque o artefato falhou ou jamais tente mexer na pólvora. Um garoto se machucou o ano passado e também ficou internado por esse motivo. Verificar as orientações do fabricante que seguem descritas nas caixas de fogos também é importante principalmente para os iniciantes. Saber respeitar as regras de segurança ainda é a melhor dica”, enfatizou a médica.

Quanto aos cuidados para quem sofreu uma queimadura, seja por fogos de artifício, líquidos quentes, queda em fogueiras, entre outros, o ideal é não utilizar nenhum produto caseiro na região afetada. “O ideal é lavar o local com água corrente e enrolar em um pano ou uma toalha limpa a região afetada. Dependendo da extensão da queimadura, é preciso procurar um médico imediatamente e não se deve colocar nenhum produto caseiro na lesão como pó de café, gelo, pasta de dente, manteiga, clara de ovo, entre outros. Isso só vai dificultar e agravar a queimadura, causando até a inflamação da mesma”, finalizou Moema Santana.

Estatística

Em 2015 foram registrados no Huse durante o mês de junho, 67 vítimas de queimaduras. Em 2016 esses números chegaram a 86 pacientes, em 2017 foram 119 vítimas de queimaduras no período junino e em 2018 esse número foi de 104 pacientes, sendo que desse total foram 72 vítimas de queimaduras e 45 vítimas especificamente de fogos de artifício, dessas, 23 eram crianças.

A gerente da UTQ do Huse, Elmara Salgado, ressaltou que a equipe também já está preparada para o aumento do número de atendimentos que chegam na unidade nessa época do ano. “Equipe preparada como todos os anos e é importante frisar que sem ela nada aconteceria, a equipe multidisciplinar da UTQ faz a diferença. Tivemos um curso de atualização para atendimento ao paciente queimado e esse curso só vem para somar. Precisamos realmente dessa força das unidades regionais que elas identifiquem a necessidade do primeiro atendimento, de vir ou não para o Huse, mas, se vier, estamos preparados para o atendimento”, frisou.

Os municípios com maior incidência de queimadura: Aracaju, seguido de Nossa Senhora do Socorro, São Cristovão, Estância, Lagarto, Bahia, Alagoas (menos), Itabaianinha, Tomar do Geru, Itaporanga D’Ajuda, Itabaiana, Laranjeiras e Umbaúba. Em Aracaju. os bairros com maior incidência é primeiramente Santa Maria, Santos Dumont, Bugio, Lamarão, Siqueira Campos, Olaria, bairro Industrial, bairro América e São Conrado.Os casos que mais chegam são vítimas que se queimaram ascendendo fogueira, preparação de alimentos, soltando fogos e preparação de alimentos quentes com as crianças em volta da fogueira e com sobras de fogos que não estouraram.

A médica diarista da UTQ, Heloísa Lazaro, explicou a importância do atendimento pré hospitalar e a forma correta do transporte do paciente queimado. “Como a gente aumenta muito a estatística de queimados nessa fase é importante fazer um atendimento mais específico. O queimado é um paciente que você deve ter um atendimento rápido e precoce. Saber distinguir os tipos de queimaduras e o primeiro tipo de atendimento que vai ser dado a ele para que já chegue até a gente melhor encaminhado. É importante bater na tecla que o paciente deve ser hidratado e diminuir o risco de mortalidade, isso é o que deve ser feito de tratamento imediato”, concluiu.

Foto: internet

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