Saúde garante remoção e assistência para criança que necessita de transplante

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Por Morgana Barbosa

 

A corrida contra o tempo é um dos maiores desafios enfrentados pelos pacientes que necessitam de transplante. Esse é o caso de P.M.C.M. que, aos seis anos de idade, embarcou na manhã desta terça-feira, 29, com destino a São Paulo, onde se submeterá a um transplante de fígado. Internado na CTI pediátrica do Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE), o garoto apresentou evolução do quadro de encefalopatia hepática.

 

Com a constatação da necessidade de transplante, o processo teve início. Os primeiro contatos foram realizados pelo Dr. Aldo Christiano, médico da UTI pediátrica do HUSE.  As medidas subsequentes para viabilizar o tratamento foram rapidamente adotadas pela Secretaria de
Estado da Saúde (SES) e Fundação Hospitalar de Saúde (FHS).

 

Com a vaga assegurada na UTI do Instituto da Criança do HC, em São Paulo, uma complexa operação foi conduzida para garantir a realização do transporte em tempo hábil. Para se ter uma ideia, além da identificação de um doador compatível, é necessário que haja a infraestrutura adequada para transporte terrestre e aéreo, além do processo de regulação e outros procedimentos.

 

“Considerando o quadro clínico do paciente para ser transportado, foi preciso  um suporte de  UTI aérea, o que garantiu os cuidados e o acesso aos  equipamentos com segurança”, explicou o coordenador da Central Estadual de Transplantes, Benito Fernandez.

 

Esse transporte foi possível a partir da parceria firmada entre a SES e a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP), por meio do Grupamento Tático Aéreo (GTA), que disponibilizou uma aeronave para fazer a remoção do garoto nas condições adequadas. Paralelamente, uma ampla e qualificada equipe trabalha de forma integrada para assegurar toda a assistência ao paciente e seus responsáveis.

 

Segundo a diretora de Gestão de Sistemas da SES, Márcia Guimarães, a demanda, que partiu da Central Estadual de Transplantes, foi acolhida e conduzida pela SES e FHS, através do Complexo Regulatório e da Central de Tratamento Fora do Domicílio (TFD).  Por meio deste último, foram viabilizadas as passagens dos pais da criança e o cadastro de ambos na Central Nacional, possibilitando que eles continuem recebendo ajuda de custo durante o tratamento do filho.

 

“Além do transporte aéreo e terrestre, tanto aqui quanto em São Paulo, a SES e a FHS atuam com medidas de vigília e monitoramento, que envolvem o Complexo Regulatório de Sergipe junto ao Complexo Regulatório de São Paulo. Essa articulação garante a disponibilidade de vaga para o paciente”, ressaltou a diretora.

 

Ela esclarece que, até a chegada do paciente ao destino, são encaminhados relatórios, atualizando informações sobre a situação da criança. Além disso, é realizado o monitoramento relacionado à previsão de chegada do voo, entre outros protocolos adotados pelo Complexo Regulatório.

 

“Para a criança, realizar esse transplante é caso de vida ou de morte. Essa é a única oportunidade de continuar vivo. Por isso, trabalhamos de forma intensa e conjunta. Os pais embarcaram com antecedência para São Paulo, onde serão avaliados pela equipe médica enquanto possíveis doadores para o filho. Caso não haja compatibilidade, parte-se para a alternativa de realizar o procedimento a partir de um doador cadáver”, pontua Benito Fernandez.

 

O coordenador do Complexo Regulatório de Saúde de Sergipe, Clovis França, destaca a atuação integrada das centrais que compõem o Complexo. “Se envolveram nessa operação a Central de Regulação de Urgência, Central de Transplantes, Central para Tratamento Fora do Domicílio e Central de Regulação de Leitos”, enfatizou. Ele revela também que, além destas, participaram ativamente o NIR HUSE, Samu 192 Sergipe e Samu 192 São Paulo.

 

O Complexo Regulatório de Saúde do Estado de Sergipe faz parte do Sistema Interfederativo de Garantia de Acesso Universal (SIGAU).

 

 

Doação

 

“A doação não é apenas uma questão de solidariedade, é uma questão de cidadania”. É com esse alerta que o coordenador da Estadual de Transplantes, Benito Fernandez, busca chamar a atenção da população para o fato de que o transplante concede uma nova oportunidade de vida, ou melhora a qualidade de vida dos pacientes.

 

De acordo com o coordenador, os problemas relacionados ao fígado são os que mais matam, quando não se encontra um doador compatível.

 

“O fígado tem várias funções no organismo e não há substitutos ou paliativos, como ocorre, por exemplo, com os ‘rins’, que, diante do mau funcionamento, o paciente pode fazer uso de hemodiálise ou diálise. Assim como para o coração, existem alternativas como circulação extracorpórea. Com o fígado, não é assim. É questão de horas. Em 48 horas, se não for realizado o transplante, o paciente não resiste e falece”, explicou.

 

Entre os desafios encontrados pela Central de Transplantes do Estado, está a obtenção de autorização para doação de órgãos, especialmente de crianças, quando já constatada a morte encefálica.

 

“É importante que todos se sensibilizem com a questão da doação de órgãos. Da mesma maneira que qualquer um pode precisar de um transplante, qualquer pessoa pode ser doadora”, apela o coordenador.

Cônjuges e parentes até segundo grau são responsáveis pela autorização para que haja a doação de órgãos. Sem a autorização da família, nada pode ser feito. Por isso, é importante comunicar aos familiares esse desejo.

 

Dados

 

A Central Estadual de Transplantes contabilizou até o momento, em Sergipe, a realização de 1.566 procedimentos, sendo que este ano foram 129 transplantes de córnea. Foram enviados para outras cidades 8 rins, 4 fígados,  1 coração para transplante cardíaco e 2 corações para válvulas cardíacas.

 

“Este ano tivemos um total de 11 doadores. No entanto, somente puderam ser captados órgãos de 4 deles. Além da autorização da família, são realizados exames para investigar a viabilidade de captação ”, revelou o coordenador.

 

A avaliação tem início com a análise do portuário. Outros exames buscam identificar, por exemplo, a sorologia. Se o doador apresentar sorologia positiva para hepatite, HIV e outros, a captação estará contraindicada.

 

De acordo com Benito Fernandez, no país existem hoje mais de 32 mil pessoas na fila de transplantes, a maioria aguarda por um rim. Enquanto não conseguem doadores compatíveis, os pacientes renais crônicos passam a depender de máquinas, além de conviver com restrições alimentares e outras condições que interferem na qualidade de vida.