SES realiza I Jornada da Prematuridade

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No mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, o Novembro Roxo, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) e da Fundação Estadual de Saúde (Funesa), realiza, na Universidade Tiradentes – campus Farolândia, a I Jornada da Prematuridade, evento que tem o objetivo de aprimorar o conhecimento dos profissionais acerca dos neonatos, em especial os prematuros. Com abertura realizada na noite da terça, 13, o evento segue até esta quarta-feira, 14, tem como tema “A Tríade do Cuidado Neonatal”.

Sendo o maior evento do estado com essa temática, a Jornada também envolve o IV Seminário da Unidade Neonatal ‘Carline Rabelo de Oliveira’ e o 3º Seminário Territorial da Estratégia QualiNeo. Na conferência de abertura, as profissionais da saúde e estudantes participam da conferência ‘Diretrizes da Atenção Neonatal – Os Três Pilares do Cuidado’, ministrada pela consultora da Estratégia QualiNeo do Ministério da Saúde e médica pediatra do instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, Cynthia Magluta. Ela explica que  parte  do pilar do cuidado neonatal começa no Pré-natal. “O Pré-natal precisa estar integrado com a maternidade e a maternidade com a sua UTI Neonatal para os bebês pequenos ou adoecidos, conforme diz a portaria  nº 930/2012, que é a que estabelece esse cuidado no Brasil”, diz Cynthia .

Ainda de acordo com a pediatra, outra perspectiva é refletir sobre o que é necessário para o cuidado ser completo e eficaz, a exemplo de uma assistência tecnicamente adequada, ofertada em momento oportuno,  que esse é o básico da qualidade.  “É importante lembrar que ela que tem de ser segura, sem imputar risco. A segunda questão é que esse cuidado não é só técnico, mas acolhedor, primando pelas regras  da humanização, que é acolher bem essa família. Já a terceira é a gestão que faz a organização do serviço como um todo, favorecendo para que o cuidado aconteça  de forma oportuna. Ao mesmo tempo  a gestão tem que pensar na rede, onde cada unidade está integrada em uma rede de cuidados”, frisa.

Os desafios ocorrem a nível internacional. Os países que conseguem organizar um sistema de cuidado perinatal, desde o Pré-natal, passando pelo parto e nascimento, fizeram um serviço de qualidade e tem a preocupação em dar assistência à família, porque os cuidados são deles. Segundo o médico pediatra neonatal Paulo Menezes, os eventos relacionados à neonatologia são essenciais, além de uma oportunidade de conhecimento, principalmente para quem atua na área, além de professores e estudantes oportunidade de conhecimento.

“Infelizmente, uma parcela significativa de pessoas não possuem condições de fazer um curso fora ou participar de um Congresso fora do estado. Eventos como a Jornada são fundamentais e nos orgulha, porque é um evento que parte da nossa unidade. Eu vejo como uma semente que foi plantada e, a partir disso, estamos colhendo os frutos.  Isso gera uma melhora  na qualidade do  atendimento ao recém-nascido, principalmente os de baixo peso”, diz o pediatra Paulo Menezes.

A estudante de enfermagem Larissa Maria Lima ressalta que o evento possibilita aprendizagem e  experiências compartilhadas por outros profissionais que já estão há mais tempo na área. “Aqui estão sendo serão abordados temas relevantes e muito atuais para um atendimento de qualidade ao recém-nascido normal ou de risco, tanto na UTI Neonatal quanto no consultório após a alta hospitalar. Para nós, enquanto acadêmicos de enfermagem, é enriquecedor”.

Para a coordenadora estadual de Atenção Primária à Saude, Fernanda Barreto, a proposta é bem vasta porque tem o olhar de rede de atenção. “Temos o olhar  com foco na redução  das taxas de mortalidade infantil no estado. Por isso o Estado já realiza algumas ações em consonância com a Rede Materna Infantil, através da Diretoria de Atenção Integral à Saúde. Também precisamos levar essas discussão ao público-alvo, sobretudo a graduandos, futuros profissionais que sairão devidamente capacitados “, informa.

O coordenador do curso de medicina da Unit, Dr. Walter Marcelo de Carvalho, afirma que o tema varia entre países desenvolvidos e os que estão em processo de desenvolvimento. “A prematuridade acomete, principalmente, os países em desenvolvimento, variando de 5% a 15% da totalidade dos nascidos vivos. A participação da Universidade é muito importante, pois os discentes precisam estar envolvidos com essa causa, que é tão relevante para a saúde pública”.

Segundo André Nascimento, Superintendente da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), cada edição dos seminários é uma conquista e sucesso de representação e o mais importante é a evolução na assistência ao prematuro. “Acredito que esse evento colabora com a importância que a temática requer. Tivemos oficinas que aprimoram e permitem a qualificação na prática. Na Maternidade, percebemos que, em 2017 – de janeiro a setembro -, tivemos pouco mais de 4300 nascimentos. Destes,  780 foram prematuros. No mesmo período de 2018 percebemos uma redução de nascimentos, mas um aumento em torno 20% por cento dos bebês prematuros. Isso requer somação de esforços. Eu acho que o matriciamento da maternidade  é soberano, no sentido de compartilhar informação, o saber, para que as  possamos fortalecer e melhorar os cuidados a esses prematuros”, observa.

Prematuros

A prematuridade é uma das principais causas de óbito infantil no país, por isso o mês de novembro é importante para evidenciar o tema e discutiras causas que levam a esse fenômeno. A iniciativa busca a integração de todas as políticas públicas de saúde, que envolve e protege o bebê, de forma a reduzir o índice, que ainda é alto no país.

No Brasil nascem cerca de três milhões de bebês por ano. O bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação (36 semanas e 6 dias) é considerado prematuro, ou pré-termo. No Brasil, o nascimento de bebês prematuros corresponde a 11,4% para cada mil nascidos vivos, de acordo com dados do Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Ministério da Saúde.

À medida que essas crianças crescem, eles têm maior risco para problemas de aprendizagem e comportamentais, paralisia cerebral, deficiências sensoriais e motoras, infecções respiratórias crônicas, doenças cardiovasculares e diabetes, em comparação com bebês nascidos a termo. Apesar do elevado número de nascimentos prematuros e dos riscos neles envolvidos, a maioria da população não está ciente de que muitas vezes é possível prevenir o parto prematuro e suas consequências para a saúde do bebê.

Dia Mundial da Prematuridade

A campanha do Dia Mundial da Prematuridade concentra ações principalmente no dia 17 de novembro, escolhido porque este dia tem um significado muito especial e emocionante para um dos fundadores da EFCNI: após a morte de seus trigêmeos prematuros, em dezembro de 2006, ele tornou-se pai de uma filha nascida em 17 de novembro de 2008. Ao mesmo tempo, o March of Dimes, organização de caridade Americana para prematuros e recém-nascidos, teve uma ideia semelhante e lançou um Dia da Consciência para a Prematuridade, em 17 de novembro nos EUA.

Parceira da ONG Prematuridade.com, a EFCNI (European Foundation for the Care of Newborn Infants) iniciou a primeira reunião de organizações de pais da Europa em Roma, na Itália. Durante esta reunião, os representantes decidiram criar um dia de conscientização para bebês prematuros e suas famílias. A cor roxa, referente ao tema, simboliza “sensibilidade’ e ‘individualidade’, características que são muito peculiares aos pequenos. O roxo também significa transmutação – ou seja, mudança;  a arte de transformar algo em outra forma ou substância, transformação.